terça-feira, 14 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL? Marcelo Roque


Feliz Natal ?

As vitrines anunciam,
é chegada a hora
Uma gente apressada e aflita,
se acotovela pelas ruas vazias;
vazias de gente,
vazias de sentido
Tvs e jornais
se apressam a ridicularizar os menos aflitos,
tornando-os não mais que cabeças
perdidas de seus rebanhos
Uma neve fictícia
parece pesar sobre os telhados tropicais
Enquanto o bom velhinho da Coca-Cola,
acerta mais um de seus cachês,
e treina sua paciência
para mais uma interminável sessão de Ho-Ho-Hos
E as vitrines
não cansam de anunciar,
é chegado o Natal

Marcelo Roque

quarta-feira, 26 de maio de 2010

PARA TODOS, POESIA DE MARCELO ROQUE; GLÓRIA KREINZ DIVULGA EM NOME DA ROSA


Para todos

Pudera eu escrever um poema
que não coubesse nos livros
e nem encontrasse guarita
em nenhum dicionário
Um poema que não pudesse ser traduzido
para língua alguma,
e fosse capaz de dizer muitas coisas
sem depender de nenhuma palavra
Pudera eu escrever um poema
que por um instante,
um instante apenas,
fizesse calar os automóveis
e cessar a loucura do mundo
Pudera eu escrever um poema
que não pudesse ser lido,
e ainda assim, compreendido ...

Marcelo Roque

domingo, 9 de maio de 2010

POEMA PARA MINHA MÃE, DE MARCELO ROQUE,HOMENAGEM ÀS MÃES DESTE BLOG, COM CARINHO; A ROSA...GLÓRIA KREINZ DIVULGA


POEMA PARA A MINHA MÃE
Não há cheiro melhor neste mundo, que o cheiro de minha mãe
Este cheiro de afeto fresco
que se espalha por todos os cômodos,
frestas,
portas e janelas
E demais cantos de minha vida
E não há olhar mais triste
e nem mais feliz, que o olhar de minha mãe
Um olhar,
que ao mesmo tempo que me implora pra ficar,
se encanta,
com o mais ousado dos meus vôos
Quem dera se todos os filhos
aprendessem sobre o amor com suas mães
Assim, como a semente aprende com a terra
sobre os segredos da vida,
ainda que sem saber
Quem dera se todos os filhos
embalassem nos braços suas mães,
e também lhes cantassem para dormir,
soprando aos seus ouvidos
os mais belos sonhos da infância
E quem me dera poder roubar do tempo
sua flor da eternidade
Somente para planta-la em seu jardim, minha mãe ...
Quem me dera,
quem me dera,
quem me dera ...
Marcelo Roque